26 de maio de 2016

As possibilidades das redes sociais em sala de aula

A tecnologia é um dos pilares da Bett Brasil Educar e, na edição de 2016, foram muitos os painéis que abordaram a necessidade de a escola abraçar a inovação – com intencionalidade pedagógica, não como um acessório “moderninho”.

Por Marcela Lorenzoni


O professor José Moran é mais um que aposta no impacto da tecnologia em sala de aula – mais especificamente, das redes sociais. Em sua palestra, em conjunto com a professora Maria Alice Carraturi, ele assinala características que tornam as redes tão apelativas para os jovens: são colaborativas, velozes e não hierárquicas. “Quem está na rede, quer estar. É diferente de uma aula em que o aluno é obrigado a sentar até o fim”, compara Moran. Seria isso uma concorrência desleal com o trabalho do professor? Para o professor, está mais para um complemento.

Não adianta, porém, tentar replicar o formato das redes sociais em ambientes seguros dentro da escola – assim, Moran garante que os jovens vão simplesmente migrar para a próxima tendência. O valor das redes sociais está justamente na possibilidade de interação e acesso a informações externas, “sem filtro”. Ao invés de rejeitá-las, educadores precisam conhecer o funcionamento dessas redes e aprender a utilizá-las de forma segura no processo de aprendizagem.

O professor precisa aceitar que seus alunos talvez não estudem nos modelos em que ele estudava quando era novo – o que não significa que não estejam estudando de uma forma que faça sentido para eles.

Paralelamente, a professora Maria Alice não ignorou os riscos das redes sociais na educação. O excesso de exposição e aumento da ansiedade foram pontos discutidos ao longo da palestra; entretanto, prevaleceu a noção de que são males que podem ser prevenidos com o ensino de cidadania digital desde a infância, algo que deve se popularizar nos próximos anos.

Um perigo mais sutil é originado da própria configuração das redes: você só se relaciona, e, portanto, só vê quem concorda com suas opiniões. Para estimular debates, ainda vale o bom e velho mundo real: os palestrantes apostam na sala de aula invertida, em que alunos estudam antes, à distância, e, então, se reúnem presencialmente para tirar dúvidas e trocar ideias.

Já no final do encontro, Moran explicou que a geração atual de crianças e jovens possui o que é chamado de “cérebro borboleta”: passa rapidamente por uma grande variedade de assuntos, acessando cada um superficialmente (contrário de gerações anteriores, orientadas a se debruçar longamente sobre um único conteúdo). Essa maneira de pensar e aprender não está errada, ainda que seja diferente da do educador, e ele precisa aceitar que seus alunos talvez não estudem nos modelos em que ele estudava quando era novo – o que não significa que não estejam estudando de uma forma que faça sentido para eles.

FONTE: Geekie
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